Entre palavrões e trechos bíblicos voltou-se a discutir na Câmara a descriminalização do aborto. Deu em nada, claro. É um exercício que se repete de tempos em tempos para mostrar que tudo deve permanecer como está. Pelo menos até que o interesse público deixe de ser tratado com os olhos no pessoal e privado
Já está tabelado e em prática na noite carioca o salvo-conduto (também conhecido como vista-grossa) para livrar motoristas com algumas doses a mais na cabeça da penosa passagem por uma delegacia. É resultado do velho cacoete brasileiro de criar maneiras de não permitir nada, porque se sabe que logo será possível tudo.
Os preços de todos os combustíveis vão subir. Por causa do petróleo? Não, do álcool, em plena safra. Os usineiros passaram os estoques nos cobres - na moda mundial do etanol - e o abastecimento interno virou fumaça. No Brasil, o governo criou uma forma superior de capitalismo para os donos de usinas de cana. É o melhor dos mundos.
Olhos nos olhos, Martha Suplicy e o ainda deputado Paulo Pereira da Silva trocaram juras de apoio em São Paulo sob as vistas do ministro Carlos Luppi. Uma recomendou relaxar e gozar a quem mofava nos aeroportos, o outro enfiou-se na falcatrua do BNDES e o terceiro mandou o Conselho de Ética às favas. Realmente, quem tem razão é Paulo Maluf.
Está chegando às livrarias Homeburguer - feito em casa é mais gostoso, do mago das carnes István Wessel. Na modesta avaliação do Cozinha para homens, livro revelador com histórias e receitas que resgatam para ícone da gastronomia prato condenado à imagem de junk food. Dedicado aos vegetarianos, um burguer de shiitake
Foi-se Ruth Cardoso. Nunca troquei com ela palavra e pouco lhe ouvi a voz, senão em escassas entrevistas na TV. Mas tive a felicidade de ler o que me chegou às mãos da construção acadêmica e do trabalho pelo resgate da dignidade do brasileiro desvalido. Deixou o poder silente como chegou. Sem botox ou roupões de algodão egípcio.
A derrota para Eduardo Paes por mais do que o dobro dos votos não traduz o tamanho de Marcelo Itagiba no PMDB, mas de Garotinho. O ex-governador é uma alma penada. O partido o desencarnou, mas ele não parte por falta de destino. Com a força que lhe atribuíam no interior em colapso, agarra-se hoje a duas candidaturas da família.